Por Kazuhiro Kurita | 05 agosto 2018

A mobilidade urbana para pessoas com deficiência (PcDs) foi tema de audiência pública no Ministério Público do Trabalho (MPT) na quinta-feira, dia 2 de agosto. O encontro, com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reuniu entidades representativas da sociedade civil, instituições públicas e privadas e pessoas interessadas no assunto. Participaram como debatedores a procuradora regional do MPT Adriane Reis de Araújo, a secretária-adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência, Marinalva Cruz, a presidente do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, Sandra Ramalhosa, e o auditor do trabalho José Carlos do Carmo.

Conselho do Ministério Público do Trabalho

Adriane fez um mea-culpa na organização do evento quando um participante citou a não acessibilidade para os deficientes visuais na maioria das audiências, incluindo a que estava sendo realizada. "Realmente, houve uma falha e não atendemos as pessoas com deficiência visual com audiodescrição das imagens exibidas nas apresentações. Fica o aprendizado para os próximos encontros", afirmou. Para a ela, a inclusão deve levar em conta as particularidades de cada um e não massificar como se todas as pessoas com o mesmo tipo de deficiência fossem iguais. Com relação à legislação, Adriane se comprometeu a cobrar da Prefeitura de São Paulo a exigência do cumprimento da Lei de Cotas para pessoas com deficiência nas empresas de transporte coletivo da cidade e a total acessibilidade nos veículos.

Esta questão foi levantada por Sandra, que apresentou os resultados de uma pesquisa que a entidade realizou com pessoas com as mais variadas deficiências. "Quando assumi o Conselho, em agosto de 2017, me deparei com grande dificuldade por falta de dados sobre PcDs, embora se diga que ela representa um quarto da população brasileira", justifica.

O levantamento de como elas viam o transporte público na cidade foi feito via on-line de janeiro a junho deste ano. O questionário obteve 496 retornos, das quais 77%  foram respondidas pelas próprias pessoas com deficiência e 23% por responsáveis. A maioria diz utilizar o transporte coletivo mais de três vezes por semana (48%) e 30% até três vezes durante o período da manhã (37%) e à noite (35%). "Quem sai de manhã para trabalhar volta à noite. Mas a grande questão é como uma pessoa com deficiência consegue entrar no metrô ou trem na hora do pico? Aliás, como consegue chegar até o ponto de ônibus ou estações de metrô ou trem com as calçadas desta cidade?", questiona Sandra.

A presidente do Conselho sugere que os pedestres façam como os motoristas quando encontram um buraco na rua. "Precisamos fotografar os problemas que enfrentamos nas calçadas no dia a dia e enviar para os órgãos da prefeitura e os veículos de imprensa", recomenda ela, que é cadeirante e se desloca por meio do transporte público.

Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.