Por Kazuhiro Kurita | 10 julho 2018

O programa desenvolvido pelo CIC Oeste dá atendimento multidisciplinar às mulheres vítimas de violência doméstica ou em situação de vulnerabilidade para que se sintam amparadas e não questionadas ou culpabilizadas. No local, profissionais desenvolvem trabalhos de orientação, encaminhamento, prevenção e outras medidas a elas e seus familiares. 

O centro mantém no local assistente social para mediação familiar, base comunitária de segurança, defensor público, promotor para orientações jurídicas, nutricionista para avaliação e tratamento, psicóloga, unidade do Centro de Apoio ao Trabalhador, cartório, Procon e serviços referentes a problemas financeiros e cursos de operador de caixa, recepcionista e moda e beleza. Além disso, tem um posto do INSS que orienta como funciona o processo digital na ampliação da rede de proteção à mulher, promovendo o acesso a benefícios e serviços, como salário maternidade, auxílio-doença e pensões, entre outros procedimentos.

Segundo a diretora técnica de divisão do CIC Oeste, Edilaine Daniel, o Ciamsp é uma ampliação do Projeto Resgatando Marias, implementado em 2012, que promovia atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica encaminhadas principalmente pela Polícia Militar.  “Agora acolhemos todas que nos procuram. Elas são recebidas com uma roda de conversa para triagem, a fim de se verificar qual tipo de atendimento é necessário. A proposta é provocar uma atitude preventiva, pois a violência não se resume à física”, explica.

A primeira-dama do Estado, Lúcia França, esteve presente na inauguração do Ciamsp na quinta-feira, dia 5 de julho. “O trabalho que este espaço já realizava em favor das mulheres é grandioso e fortalecedor. Agora, com o centro integrado, o apoio que essas mulheres terão será ainda maior”, comentou.

O centro conta, ainda, com apoio de empresas privadas da região, que disponibilizam vagas de emprego mesmo para quem não possui experiência. Para atender a demanda, o programa oferece cursos de capacitação profissional, além de projetos para incentivar a autoestima. “O objetivo é promover o fortalecimento da mulher, o resgate de sua cidadania e a prevenção e cessação da situação de violência. “A empregabilidade é um fator importante neste processo. Normalmente, a mulher em situação de vulnerabilidade não possui renda e sua dependência financeira a mantém refém do possível agressor”, diz. 

Para Maria Valderez da Silva Pereira (Lia) e Cristiane Daniel Anastácio, o centro pode ajudar muitas mulheres a não passarem pelo que elas sentiram na pele. Lia sofreu com a violência doméstica por 26 anos, até a morte do ex-marido. “As agressões começaram um mês depois do nascimento do meu primeiro filho”, afirma ela, que ficou junto com ele até sua morte.

Cristiane guarda as marcas da violência no corpo e na alma até hoje. Em 2004, o então companheiro de sua mãe foi expulso depois de uma crise de ciúmes. Dez meses depois, ele chegou com dois galões de gasolina para colocar fogo na casa. Na tentativa de impedi-lo, a mãe ficou encharcada no momento em que acendeu o fósforo, sofreu queimaduras em 80% do corpo e morreu. Cristiane, que tentou defendê-la, teve 50% do corpo queimado. “Ele foi condenado a 18 anos de prisão por homicídio e tentativa de homicídio, mas foi solto seis anos depois”, conta.

Tanto Lia quanto Cristiane conseguiram tocar a vida, mas não se livraram completamente do trauma. “A família não me deixou sucumbir, dando todo o apoio que eu precisava, mas nunca vou me esquecer, apesar do tempo amenizar o sofrimento”, confessa Cristiane.

Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.