Por Kazuhiro Kurita | 08 junho 2018

Seja por lazer ou para locomoção, as bikes vieram para ficar, principalmente nas novas gerações. Com isso, a previsão é que também passem a movimentar  um grande mercado, proporcionando uma alternativa de geração de renda em várias frentes, seja como mecânico de manutenção, treinadores para quem tem medo ou não sabe andar ou até organizadores e guias do ainda pouco explorado cicloturismo, entre outras atividades. 

Para quem tem verdadeira paixão por bicicleta e quer fazer dela um meio de vida, uma ótima oportunidade para um banho de iniciação é o curso Viver de Bike, ministrado pelo Instituto Aromeiazero em parceira com o Clube da Comunidade (CDC) Arena Radical (Praça Augusto Rademaker Grunewald, 37, Vila Olímpia), onde são dadas as aulas. “O aluno adquire conhecimentos relacionados a várias atividades com a bike. Assim, ele pode se inserir no mercado formal de trabalho ou atuar como profissional autônomo, prestando serviços ou montando um negócio”, garante Murilo Casagrande, diretor do Aromeiazero. 

As aulas são ministradas de terça a quinta-feira, das 19h às 22h, com foco na bicicleta sob vários ângulos. “O curso tem 60 horas de duração e aborda ferramentas de gestão, responsabilidade social e financeira, planejamento de negócios e mecânica. As aulas de empreendedorismo não são sobre aspectos jurídicos, mas de como montar um negócio, de avaliação do mercado”, explica o coordenador Luís Birigui, dizendo que, além do certificado, o participante recebe na formatura uma bicicleta reformada por ele.

Para se candidatar, é preciso ter mais de 15 anos e estar inserido no extrato de baixa renda. São 15 vagas, mas a seleção prévia é de 30 alunos. Metade deste contingente é voltada para mulheres. “Fazemos uma análise aprofundada de cada formulário, pois a demanda é grande”, afirma Birigui, lembrando que as inscrições estão abertas e podem ser feitas através do link http://bit.ly/viverdebikenocdc.

Transformações

Mariana Gomes Feitosa diz que o Viver de Bike transformou sua vida. Ela, depois de terminar o curso, foi uma das selecionadas para uma bolsa da Park Tool, escola de formação profissional de mecânica de bicicletas, que dá certificação internacional. “Além desta oportunidade, o Viver de Bike me deu novas visões de empreendedorismo social e aprofundou minha relação com a bicicleta. Ele reafirmou minha convicção de que posso me sustentar fazendo algo pela qual sou apaixonada”, revela ela, que faz trabalhos freelancers para a Aromeizero, embora seu desejo é ter sua oficina e fazer uma graduação de Arquitetura e Urbanismo. 

Por enquanto, são sonhos interditados por falta de condições financeiras. No entanto, Mariana vai fazendo tudo que é curso gratuito de bicicleta. "Sinto que preciso ganhar mais experiência para desenvolver um trabalho solo", confessa ela. 

Quem também deu uma reviravolta em seu destino foi Viola Sellerino. Sua relação com a bicicleta nasceu há apenas quatro anos, quando resolveu reformar uma praticamente destruída. “Comecei a andar e aprendi a cuidar, frequentando a Oficina Mão na Roda, onde tive o primeiro contato com a mecânica. Montei uma oficina pelo prazer de ajudar os amigos e senti que poderia trabalhar com isso”, diz ela, que é pintora de parede.

Agora, Viola ministra oficina básica só para mulheres. “É um projeto itinerante, que desenvolvo com entidades como o SESC e alguns órgãos públicos. Na verdade, tinha uma relação ruim com o dinheiro, mas aprendi sobre empreendedorismo no Viver de Bike”, afirma ela, também assistente voluntária do professor no curso de mecânica.