Por Kazuhiro Kurita | 13 maio 2018

O mercado de trabalho vinha dando alguns sinais de reaquecimento, mas  dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que o número de desempregados voltou a crescer no começo do ano. Com isso, milhões de trabalhadores permanecem sem emprego, alguns há muito tempo. Diante deste quadro, grande parte dos profissionais já perdeu a conta de quantos currículos enviaram e por quantas entrevistas e dinâmicas passaram sem que tenham sido contratados.

Pela frustração de não terem conseguido uma vaga ainda, muitos perdem a esperança e alguns até se tornam agressivos com os entrevistadores. No entanto, é preciso muita calma durante o processo seletivo, segundo Carolina Silva, coordenadora de RH na Luandre - Soluções em Recursos Humanos.
Para ela, estes sentimentos diminuem as chances de recolocação. "Já chegamos a ver casos de candidatos que discutiram com as consultoras por estarem impacientes, alegando terem passado por muitas seleções", conta a coordenadora. 

Esta postura pode impedir a continuidade do processo, pois revela uma tendência à falta de equilíbrio emocional. "Procuramos sempre um perfil equilibrado e motivado, independentemente da situação", explica Carolina.

O quesito emocional é, às vezes, mais importante que a capacidade técnica do candidato. Segundo uma pesquisa da consultoria norte-americana TalentSmart, o QE (Quociente Emocional) pode ser mais decisivo para o sucesso na carreira do que o famoso QI (Quociente de Inteligência). O levantamento mostrou que cerca de 90% dos funcionários mais bem avaliados por seus empregadores têm uma boa gestão de suas emoções.
Para quem está em situação de estresse, a coordenadora da Luandre dá algumas dicas para reverter a situação. “Reflita e tente entender o porquê de estar se sentindo ansioso, com raiva ou medo. A partir disso, exercite neutralizar estes sentimentos para uma postura mais positiva e otimista”, aconselha.

Carolina destaca que é importante conhecer as fraquezas e forças. “Estar ciente do que desestabiliza também é uma maneira de se fortalecer. Todos temos vulnerabilidades, então é melhor focar nas qualidades, principalmente em situações que exijam mais de nós", afirma, lembrando que não se deve prender aos problemas em tempo integral. “Muitas vezes, a solução vem quando a mente se permite desfocar e pensar em novas possibilidades”, finaliza.

Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.