Por Talita Scotto | 13 maio 2018

Empreender é um caminho solitário. Vi meu TCC virar projeto de vida aos 22 anos de idade. E a maternidade acompanhou todo o processo sem precisar ser adiada. Engravidei aos 27. Perdi dois bebês e descobri a trombofilia. Depois de 333 injeções, dei à luz uma menina.

Fiz home office desde a saída da maternidade. Estava estruturada, mas há assuntos que só o dono é capaz de resolver. Às vezes, aquele projeto que você tanto queria chega na hora mais conturbada da sua existência. Comigo não foi diferente. Recebi projetos irrecusáveis quando ela tinha 45 dias e quem estava me cobrindo saiu da empresa. Me vi ali, aceitando o crescimento do negócio no momento em que deveria assistir ao Discovery Kids e acertar a pega da amamentação.

Tive vontade de desistir, mas já tinha percorrido oito anos de trabalho e isso me dava um orgulho imenso. Montei um berço ao lado da minha mesa e fiz um processo seletivo amamentando. Tomei decisões com a realidade que tinha naquele momento. Mais uma vez senti que não daria certo. Deu porque estava cercada de profissionais excelentes naquela fase.
 
Depois de três meses em home office e muito call, mudei a empresa de bairro para estar ao lado do maior suporte familiar: os avós.

A rotina é puxada? Sim. Conciliar é difícil? Sim. Cuidar de um bebê e de uma empresa é desgastante, mas a decisão do que será melhor só você pode tomar. Não perdi o prazo dos clientes e nem o da amamentação. Empreender lhe dá liberdade de criar uma nova rotina de horários.

Ao olhar para trás, me pergunto como consegui e vejo que a jornada está melhor. Aprendi que horas extras são em casa, com minha filha. Que o horário comercial é comercial mesmo. Que casos especiais são casos especiais mesmo. Que é possível resolver as coisas das 9h às 18h e que tem o dia seguinte para continuar. As prioridades me ajudaram a ser mais produtiva, porque isto virou sinônimo de resultados e mais tempo com minha filha. Afinal, eu tenho um compromisso importante me esperando em casa: a família. E quando, no auge das emoções, alguém lhe disser “Calma, essa fase vai passar”, acredite. Ela passa.

Talita Scotto
Talita Scotto, diretora da Agência Contatto e mãe da pequena Theodora