Por Claudinei Nascimento | 15 abril 2018

Realizar um sonho, ter uma melhor qualidade de vida, alcançar altos ganhos financeiros, apostar em um mercado promissor, ter mais autonomia para tomada de decisões. Esses são alguns motivos que levam muitos a sonhar com o negócio próprio. No Brasil, ele atinge 31,7% das pessoas contra 19,5% que desejam fazer carreira em uma empresa, segundo a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM). 

Porém, não basta apenas demonstrar interesse em ser seu próprio patrão. Segundo Jaercio Barbosa, coordenador geral de cursos da Escola Superior de Empreendedorismo do Sebrae São Paulo, para que o negócio tenha maior chance de prosperar, esta tomada de decisão deve estar apoiada em três competências fundamentais. “Identificação da oportunidade, planejamento e capacidade de execução”, diz. 

Um dos elementos comuns à aquisição dessas competências é a busca por informações que contribuam para uma tomada de decisão mais embasada. É o que tem procurado fazer o jovem Marcos dos Santos Junior, funcionário de uma empresa de produtos eletrônicos importados. No final deste mês, ele completa 27 anos e quer transformar o aniversário em uma data simbólica para criar uma empresa no mesmo segmento. “Estou indo atrás de informações contábeis e criação de sites, já que minha ideia é abrir uma loja integrada ao e-commerce”, explica.

No caso de Junior, o sonho de ter um negócio próprio vem desde criança e ele teve na família algumas referências para empreender, como o pai e a avó materna, comerciantes, e a avó paterna que vendia na feira. “Acho que está no sangue”, afirma.

Primeiros passos

As irmãs Rayane, 24 anos, e Mylena Silverio, 20, também traçam um futuro empreendedor como projeto de vida e, com base em suas respectivas habilidades, pensam em abrir negócios na área de Fotografia ou Estética como uma opção para driblar a crise econômica e a falta de empregos. 

Entretanto, elas querem dar um tiro certeiro. Para isso, estiveram na Feira do Empreendedor do Sebrae São Paulo, na terça-feira, dia 10. Entre uma visita e outra aos estandes, participaram de duas palestras de orientação: “Como ser um Microempreendedor Individual” e “Primeiros Passos para o Planejamento de sua Empresa”. “Queremos abrir um negócio formal, mas de maneira pensada, pois nos dará uma segurança maior para realização de nosso trabalho”, esclarecem. 

A preocupação de Junior, Rayane e Mylena faz todo sentido. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em outubro do ano passado, indica que mais de 60% das empresas fecham as portas até cinco anos depois de serem criadas. De 733,6 mil organizações que nasceram em 2010, 277,2 mil (ou 37,8% do total) conseguiram sobreviver até 2015. Jaercio Barbosa justifica esse alto índice em razão da falta de planejamento. “É necessário estudar o mercado, o local no qual será implantado o negócio, os potenciais clientes”, diz.

Outra questão apontada pelo especialista é o empreender apenas pelo dinheiro. Quando isso acontece, corre-se o risco de não haver pleno envolvimento com o negócio. “Empreender é uma responsabilidade importante para o País e para as pessoas, uma alternativa de vida interessante, desde que tenha um propósito, um significado que vá além do ganho financeiro”, finaliza.
Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.