Por Kazuhiro Kurita | 23 março 2018

A inclusão de pessoas com deficiência vai além da obrigatoriedade. Esta é a bandeira defendida pela Talento Incluir, criada há uma década pela educadora física e consultora Carolina Ignarra. Para ela, embora seja um processo bastante lento, aos poucos algumas empresas têm tomado consciência da riqueza da diversidade em seus quadros. “Como se trata de uma questão cultural, é preciso ações contínuas para mudar esta realidade”, afirma, admitindo que, antes de sofrer o acidente que a deixou paraplégica aos 21 anos, também tinha preconceitos e uma visão distorcida sobre a deficiência.

Segundo Carolina, a inclusão não pode perder de vista sua sustentabilidade. “A Lei de Cotas ainda é uma ferramenta imprescindível, mas não podemos nos ater somente a ela. É preciso ir além, com a conscientização de que a participação efetiva de pessoas com deficiência oxigena o ambiente corporativo e traz benefícios à companhia”, afirma.

A consultora diz que estudos demonstram que equipes formadas por profissionais diversos levam um pouco mais de tempo para atingir uma meta, mas depois registram um crescimento contínuo. Por outro lado, grupo sem esta diversidade atinge a meta antes, mas tende a se estagnar.

A recrutadora da Talento Incluir Jaqueline Moura sustenta que a inclusão passou a fazer parte da rotina das empresas em busca do cumprimento de seu papel social. “Atualmente, espera-se que as organizações procurem maneiras de se envolver com a sociedade, por meio de ações socialmente responsáveis, melhorias no meio ambiente e na qualidade de vida”, destaca.

Segundo ela, esse é um tema que não apenas está na moda, como também passou a ser exigência dos consumidores. Há quem veja com olhos diferentes uma empresa que, além de cumprir a Lei de Cotas, busca uma inclusão sustentável, ou seja, não contrata apenas devido à legislação, e sim por entender que todas as pessoas são capazes de agregar valor a uma organização”, defende.

Jaqueline lembra que, segundo censo do IBGE de 2010, aproximadamente 24% da população brasileira tem alguma deficiência. Isso é o equivalente a mais de 45 milhões de pessoas, que também são consumidores.

No entanto, para realizar a inclusão para além da obrigatoriedade, é preciso respeitar alguns princípios. Por exemplo, garantir a mobilidade dos profissionais que necessitam de condições específicas, como usuários de cadeiras de rodas ou pessoas cegas. “Os gestores e líderes devem estar preparados para receber esses profissionais, respeitar as suas limitações e conhecer suas possibilidades”, diz Jaqueline.

Outro ponto levantado por Carolina é a formação das pessoas com deficiência. Embora a educação seja o pilar da sociedade, 61% deste público não completou o ensino fundamental. “Por este motivo, algumas empresas com responsabilidade social capacitam os colaboradores com deficiência, garantindo que adquiram o conhecimento necessário para exercer as suas atividades”, elogia.