Por Claudinei Nascimento | 09 março 2018

Muito se fala na reforma da Previdência. Será que ela é realmente necessária?  Para trazer luz ao tema, a Universidade Presbiteriana Mackenzie e o Centro Mackenzie de Liberdade Econômica promoveram, no dia 26 de fevereiro, o evento "Previdência – Qual seria a verdadeira reforma?".

Na ocasião, participaram o presidente do Instituto Liberal de São Paulo e co-organizador do encontro, Marcelo Faria, e os especialistas Floriano Martins de Sá Neto, presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip); Paulo Tafner, pesquisador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE); e Pedro Fernando de Almeida Nery Ferreira, consultor legislativo do Senado.

Tafner se posicionou favoravelmente à reforma. Ele usou como justificativa o fato do país estar envelhecendo, o que tem ajudado a reduzir a proporção entre trabalhadores ativos e inativos. “Em 1980, ela era de 9,2 para cada 1. Em 2020, será de 4,7 para cada 1 e, em 2060, chegará a 1,6 para cada 1. Ou seja, praticamente cada pessoa terá um velhinho para chamar de seu”, brincou ele, para quem o Estado deve ter um papel reduzido no sistema previdenciário. 

Sá Neto, ao contrário, defende que não há déficit previdenciário. Segundo ele, a Anfip divulga anualmente a "Análise da Seguridade Social" e, até 2015, historicamente o orçamento tem sido superavitário. “”Apenas em 2016, o déficit foi de R$ 57 bilhões, mas bem longe do propagado pelo Governo, que é de R$ 270 bilhões negativos. O que propomos é uma reforma gerencial de toda a securidade social e do sistema tributário, sem penalizar os contribuintes previdenciários”, diz.

Ferreira, por sua vez, também observa a redução acentuada da natalidade e o crescimento vertiginoso da população idosa como uma equação a ser solucionada e isso passa por uma reforma previdenciária. Mas contrapõe quando o assunto é o déficit. “Ele pode ser visto como legítimo quando entendemos que houve, a partir da Constituição de 1998, um entendimento de que a securidade social passaria a subsidiar grupos mais vulneráveis”, encerra.

Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.