Por Claudinei Nascimento | 11 março 2018

Renda e escolaridade baixas são elementos que compõem o perfil das famílias com presença de trabalho infantil na região metropolitana de São Paulo. Este é o resultado de uma pesquisa apresentada no dia 26 de fevereiro pelo Dieese e o Ministério Público do Trabalho, durante o encontro do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti).

Realizado nos anos de 2014 a 2016, o estudo indica que 1,3% das famílias têm crianças e adolescentes (10 a 17 anos) em atividade laboral. Em geral, a responsabilidade financeira da casa está sob responsabilidade de mulheres e 46% das famílias pesquisadas recebem renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa. “Os dados mostram que a existência do trabalho infantil está vinculada à condição socioeconômica das famílias”, diz a coordenadora da Pesquisa de Emprego e Renda do Dieese, Lúcia Garcia. A escolaridade também foi destacada pela coordenadora. Segundo ela, mais de 70% dos membros dessas famílias não concluíram o ensino fundamental.

O levantamento aponta ainda que quanto mais frágeis os vínculos laborais dos responsáveis, maior a probabilidade de trabalho infantil nas famílias. "Políticas de educação, cultura, trabalho, renda e empregabilidade para grupos historicamente discriminados, como as mulheres, são imprescindíveis para se avançar no enfrentamento do problema", acredita a procuradora do Trabalho Elisiane dos Santos, coordenadora do Fepeti.

Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.