Por Kazuhiro Kurita | 09 março 2018

Se depender deste início, o ano promete uma recuperação para o trabalho temporário. A constatação é de que houve um acréscimo de aproximadamente 10% no número de vagas disponibilizadas para a Páscoa em comparação ao mesmo período de 2017, somado os setores de Indústria e Varejo.

Segundo Joelma de Matos Dantas, gerente jurídica do Sindesprestem (Sindicato das Empresas de Prestação de Serviços a Terceiros, Colocação e Administração de Mão de Obra e de Trabalho Temporário no Estado de São Paulo), a expectativa é de que sejam admitidos pelo menos 54 mil temporários até abril em todo o País, segundo pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Modernização Empresarial (Cenam) com grandes, médias e pequenas empresas do setor.

A maioria das vagas já foi preenchida e a indústria de chocolate, responsável por 38% dos temporários, já não deve fazer mais contratações. No entanto, o comércio ainda tem sete mil oportunidades abertas. O segmento deve responder por 68% dos postos e até o momento contratou 30 mil trabalhadores. Para Joelma, embora o cenário ainda seja de retração e instabilidade política, existe a perspectiva de uma boa movimentação de vendas no período. Segundo ela, o preconceito de ambos os lados está desaparecendo. “O trabalhador tem procurado esta modalidade de emprego porque gera renda e pode ser uma porta de entrada para sua colocação definitiva. Por outro lado, o empregador tem constatado que o temporário se destaca porque quer mostrar
serviços, pois busca uma efetivação”, afirma.

 

Muitos candidatos

 

A Randstad, empresa de soluções em Recursos Humanos, abriu perto de três mil vagas somente para uma indústria de chocolate. “Tivemos cerca de 30 mil inscrições, ou seja, 10 candidatos por vaga. Com isso, fizemos um processo de seleção mais assertivo, pois os interessados eram de diferentes idades, com cursos e experiência variados. Pudemos fazer um direcionamento do perfil mais adequado para o cliente”, diz Alex David, gerente de contas da Randstad Brasil, que ainda possui algumas vagas em aberto.

David prevê uma efetivação em torno de 14%, por conta de substituições e incremento com aumento de número de lojas da indústria. “O trabalho temporário é uma forma do cliente avaliar o desempenho do profissional. Se ele se mostrar capacitado e comprometido tem uma grande chance de ser efetivado”, garante.

A jovem Thayná Cristina de Oliveira Pereira, de 20 anos, ainda não conseguiu realizar seu sonho de um emprego estável, mas acredita estar no caminho certo. Ela começou como aprendiz na área administrativa, mas foi dispensada ao final do contrato. Conseguiu um trabalho como recepcionista em uma empresa pequena, onde ficou por nove meses. Amargou um tempo sem serviço e resolveu se candidatar a uma vaga temporária para a Páscoa do ano passado na Randstad. “Fui animadora em um supermercado. Fazia a reposição dos ovos, tirava dúvidas dos clientes e tentava convencê-los a comprar os produtos”, explica.

Depois, trabalhou como auxiliar de uma loja de roupas no Natal. Agora, foi contratada como temporária no RH da própria Randstad, para dar apoio às filiais no processo seletivo para a Páscoa. “Tenho acumulado uma experiência significativa que pode me ajudar na carreira”, diz ela, que faz um curso de tecnólogo em Gestão de Recursos Humanos. “Tenho me empenhado muito, pois é uma oportunidade única de trabalhar, mesmo que temporariamente, em uma empresa global”, festeja.

Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.