Por Claudinei Nascimento | 10 fevereiro 2018

O ano era 2014 e L.B., hoje com 39 anos, tinha boas perspectivas profissionais. Trabalhava como encanador industrial e havia obtido, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni) uma bolsa integral de estudos em uma faculdade de Gestão em Tecnologia da Informação. Tudo parecia caminhar para um futuro próspero, não fosse um obstáculo. No mesmo ano, ele se envolveu com o tráfico de drogas, foi preso e condenado a seis anos e oito meses de prisão. 


A situação adversa obrigou L.B. a rever seus planos. Pai de três filhas, ele prometeu. “A partir de hoje, quero tudo de bom para mim. Farei dos meus dias os melhores possíveis.” Para levar o seu propósito adiante, contou com um grande aliado, o Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania "De Olho no Futuro", que conheceu no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana, interior de São Paulo.
L.B., 39 anos, é um dos beneficiados com o Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania 'De Olho no Futuro'.
Por meio do programa, L.B. tem desenvolvido competências que o ajudarão a ter mais possibilidades de êxito em sua reinserção social e profissional. Com desempenho exemplar, não demorou para que L.B. fosse convidado a atuar como monitor, replicando o aprendizado para outros reeducandos, com o benefício de ser remunerado pela Fundação Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap), órgão vinculado à Secretaria da Administração Penitenciária e responsável pelo programa.

 Algum tempo depois, com a transferência determinada para a Penitenciária Jairo de Almeida Bueno, em Itapetininga, L.B. sentiu-se receoso de não encontrar condições favoráveis para continuar o seu estudo. “Mas, felizmente, aqui também prossegui no Programa de Educação para o Trabalho”, diz.

Cheio de ideias, ele usou o aprendizado para o desenvolvimento de um projeto de empreendedorismo que visa a criação de um lava-rápido. Mas, saindo da penitenciária, ele quer mesmo é se dedicar à área educacional. “Quem sabe motivando outras pessoas a partir de minha própria história”, explica. Questionado se mudaria algum capítulo de sua trajetória de vida, L. B. pensa bastante e emenda.

“Procuro olhar pelo lado positivo. As adversidades me levaram a conhecer a essência do ser humano, a compartilhar conhecimentos, a entender o que é respeito, a me aprofundar em um conteúdo que salva e transforma vidas.”  

Sobre o Programa


O Programa de Educação para o Trabalho e Cidadania foi lançado em 17 de junho de 2013. O intuito é proporcionar aos detentos a participação em atividades que favoreçam mudanças no seu comportamento, de olho em seu desenvolvimento pessoal e profissional, com o benefício de terem um dia de redução da pena a cada 12 horas de estudo.

O programa se baseia em pilares como a Formação Social (que abrange temas como comunicação, superação, criatividade, inovação, mundo do trabalho, meio ambiente e sustentabilidade), Formação Profissional (Elétrica, Hidráulica, Panificação, Informática etc.), Atividades Culturais e Salas de Leitura.
Odirlei Arruda de Lima, diretor-geral da Penitenciária I de Itapetininga, e Marcelo Miquelini, gerente regional da Funap-Sorocaba.
“Sabemos da alta resistência que os egressos do sistema penitenciário enfrentam para ingressar no mercado formal, por isso estimulamos bastante o empreendedorismo, que eles saiam daqui com oportunidades e conhecimentos para abrir o próprio negócio”, diz Odirlei Arruda de Lima, diretor-geral da Penitenciária I de Itapetininga.

O gerente regional de Sorocaba da Funap, Marcelo Miquelini, completa. “Estimulamos o trabalho autônomo, mas de forma orientada de acordo com o potencial de cada um e para que eles possam ter um futuro melhor.”

Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.