Por Kazuhiro Kurita | 07 outubro 2018

Há 18 anos, quem via o adolescente Jorge Soares na Praça 11, na favela do Jaguaré, jamais poderia imaginar que viria a trabalhar em um escritório de advocacia de renome mundial. Nem mesmo ele, até participar do Programa Reciclar.

Formado em Direito há seis anos, Soares fazia parte de uma família de baixa renda moradora na comunidade. Estudava em escola pública e batalhava desde os 13 anos para ajudar em casa. Na época em que começou a frequentar o Reciclar, tinha 15 anos e trabalhava informalmente em uma gráfica de um grande jornal. Para Soares, a opção pelo Reciclar valeu a pena. Foram dois anos de muita dedicação e alguns sacrifícios. Ele embarcou literalmente em uma jornada de autoconhecimento e crescimento de transformação pessoal. “O acompanhamento psicológico fornecido pelo programa me fez descobrir que podia ir muito mais longe do que imaginava”, garante.

Para Soares, a capacitação para o mercado de trabalho também foi muito importante, pois a escola pública é muita precária neste ensinamento. “Quando terminei o programa, o Reciclar me indicou para o escritório de advocacia como office-boy. Foi lá que aprendi a gostar de Direito”, diz.

Jorge Soares trabalha como advogado em um escritório internacional

Hoje, o programa tem quatro anos de duração, mantendo como princípios o desenvolvimento de competências socioemocionais, habilidades profissionais e conhecimentos técnicos que possibilitem a inserção no mercado de trabalho e a construção de uma trajetória de vida pautada pelo protagonismo e por uma atuação positiva e responsável na sociedade.

Podem participar do processo seletivo jovens de até 16 anos, matriculados no 1º ano do ensino médio em escolas públicas. As inscrições vão até o dia 4 de novembro e devem ser feitas na Avenida Presidente Altino, 973, Jaguaré, de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.

Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.