Por | 05 maio 2017

Até algumas décadas atrás, quem chegava aos 50 anos enfrentava grande dificuldade de se manter no emprego ou de se recolocar no mercado. Nos últimos anos, porém, algumas empresas perceberam que esta faixa etária ainda tem muito a contribuir.

Esta mudança de modelo trouxe esperanças para quem atingiu esta idade, principalmente com a crise econômica e o empobrecimento de grande parcela da população. De qualquer forma, seja pela necessidade financeira ou até mesmo pelo desafio de se manter ativo, esta nova realidade serve como alento a milhares de trabalhadores.

No entanto, quem quiser continuar na ativa deve estar atento às exigências dos novos tempos, alerta a gestora de carreira Andrea Deis. “O profissional precisa se reciclar e se reposicionar no mercado, além de se manter focado em resultados. As empresas atualmente dão muito valor a esta faixa etária, ainda mais se são conciliadoras e possuírem capacidade de se adaptar aos dias de hoje, pois estas características ajudam na questão de conflito de gerações”, explica.

Andrea Deis recomenda reciclagem para quem tem mais de 50 anos
Andrea Deis recomenda reciclagem para quem tem mais de 50 anos (Foto: Kazuhiro Kurita)
O tempo pode ser cruel com aqueles que estão muito tempo em uma empresa, ocupando a mesma função, pois a tendência é de acomodação. “É necessário estar antenado no mercado, montar um networking eficaz, ficar atento aos sinais e criar um círculo virtuoso. A crise tira do mercado os acomodados. É uma idade que propicia libertação do profissional se ele se reinventar, resgatar a autoestima e o autoconhecimento”, ensina. 

Para Heldes Costa de Souza, de 57 anos, a virada começou no final do ano passado, quando prometeu ao marido Paulo que estaria empregada em 2017. Em uma segunda-feira, foi às 7h ao endereço do Grupo Pão de Açúcar onde são feitas as seleções e se deparou com uma fila imensa. Não conseguiu pegar uma das 80 senhas distribuídas por dia. Na terça-feira, ela chegou às 3h e já tinha 19 pessoas na frente. Foi atendida às 11h, quando fez uma prova. Ficou entre as 15 selecionadas naquela manhã e em janeiro deste ano foi admitida como operadora de caixa depois de 29 anos fora do mercado para cuidar das três filhas. 

Heldes credita ao fato de se manter atualizada a conquista do emprego. “É preciso estar sempre aberto ao aprendizado, principalmente quando se tem um objetivo na vida. Para você ter uma ideia, quem me ensinou sobre minhas funções é uma menina de 23 anos de idade”, conta ela, segredando que suas próximas metas são viajar e comprar um carro.

Josemir de Souza Rodrigues é repositor na loja de Higienópolis
Josemir de Souza Rodrigues é repositor na loja de Higienópolis (Foto: Kazuhiro Kurita)
Quem também viu seu destino mudar é Josemir de Souza Rodrigues, de 58 anos. Ele foi admitido como repositor em uma das lojas do mesmo grupo. Ao contrário de Heldes, ele foi abandonado pelo emprego formal há mais de 30 anos. Para piorar, sofreu um acidente de moto e ficou manco de uma perna aos 23 anos. Desde então, viveu de vender frutas, foi cobrador de lotação sem registro, trabalhou como frentista, vendeu cigarros do Paraguai e até puxou carroça de recicláveis com a mulher. “Quando a idade foi chegando, fui perdendo a energia. Como via muita gente com saúde sem emprego, achava que estava acabado como profissional”, confessa.

Rodrigues diz ter recuperado a dignidade que quase não teve em grande parte da sua vida. “Nunca me entreguei, apesar de receber muitos nãos. Agora, todo dia aprendo alguma coisa com a convivência entre gerações em um só lugar, com muito respeito”, garante. 

Para o Grupo Pão de Açúcar, estes profissionais são dedicados e capazes de fornecer um atendimento diferenciado, mais próximo do cliente. Entre os principais benefícios estão a motivação, que estimula os demais colaboradores, além da oportunidade de troca de experiência com os mais jovens. 


Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.