Por Kazuhiro Kurita | 10 fevereiro 2017

Quando foi contratado para cobrir férias como office-boy em um hospital de Santo André, Lucivaldo Silva tomou uma decisão que definiria seu destino. Ele tinha 18 anos e resolver agarrar com unhas e dentes aquela oportunidade, afinal precisava deixar para trás uma história de muito sacrifício. 

Silva ficou órfão de pai com nove anos e um ano depois começou a trabalhar para ajudar a mãe, que mantinha três empregos para sustentar os quatro filhos. Ele fez de tudo um pouco, de lavador de carros a atendente de lanchonete, sempre na informalidade. Por isso, valorizou o emprego no hospital, de onde não queria sair. 

Ao terminar suas tarefas na função, ajudava na farmácia. Sua dedicação foi recompensada ao término da cobertura de férias. Neste período, surgiu uma vaga de auxiliar de farmácia e ele foi contratado em definitivo. 

Lucivaldo Silva
Lucivaldo Silva (Foto: Kazuhiro Kurita)
Vencida esta etapa, Silva passou a encarar a saúde como sua tábua de salvação. Começou a pesquisar quais áreas deste segmento eram mais promissoras dentro do hospital e depois expandiu o estudo para o mercado externo. Chegou à conclusão de que havia uma grande demanda por técnicos de radiologia. Em 2.000, dois anos depois de sua contratação, começou a fazer o curso neste segmento.
Segundo Silva, a opção pela área técnica foi pelo fato dela atender as suas demandas na época. “Precisava de uma formação acessível, rápida, com alta empregabilidade e possibilidade de ascensão profissional”, justifica. 

Concursos

Antes mesmo de terminar o curso, ele começou a prestar concursos. Foram 24 provas, mas seu esforço foi recompensado. Passou na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na função de técnico de radiologia. Naquela época, trabalhava em um programa social desenvolvido por uma clínica de imagens ganhando cerca de R$ 4 mil mensais. 

Quando foi chamado pela Unifesp, não teve dúvidas em pedir a conta, apesar do salário de R$ 700,00 na instituição federal. “A médica que coordenava o programa me chamou de louco. Eu respondi que se o dono da clínica resolvesse acabar com o projeto, eu ficaria na mão. Quatro meses depois, o programa foi interrompido”, conta ele, que passou ainda no Instituto do Coração (Incor) e no Hospital Edmundo de Carvalho.

Em 2003, resolveu fazer o curso de Tecnólogo de Radiologia. Depois de formado, fez uma pós-graduação e em 2005 começou a lecionar e a ministrar palestras, mesmo com os três empregos. Tudo isso para poder montar o Instituto Cimas de Ensino em 2007, que começou com quatro alunos e hoje soma mais de 600 estudantes, além do Cimas - Centro de Diagnóstico Animal, onde também são ministrados cursos na área veterinária.

"O mais importante é não desistir nunca dos sonhos. “Para torná-los realidade, é preciso focar e não ter dúvidas sobre onde se quer chegar. Eu optei pelo técnico para desenvolver minha carreira, embora a modalidade não seja muito respeitada no Brasil.”

Opção correta

Para Renata Motone, consultora de recursos humanos da Luandre, a opção de Silva foi correta. “A área 
da Saúde sempre foi e será promissora porque é um segmento primordial, principalmente para técnicos, pois exige muita qualificação. Outro nicho que começa a despontar neste ramo é o atendimento para idosos, com uma crescente demanda por técnicos de enfermagem, pois a expectativa de vida vem aumentando no Brasil”, informa.

Para Renata Motone, cursos técnicos abrem portas para o mercado
Para Renata Motone, cursos técnicos abrem portas para o mercado (Foto: Kazuhiro Kurita)
Renata diz que os cursos técnicos são a porta de entrada para a vida profissional sem pular etapas. "Por serem cursos de duração média, eles dão a chance do jovem saber se sua escolha foi realmente acertada ou se vai necessitar de uma   correção no rumo", explica.
Kazuhiro Kurita
é editor da Flamboyant Comunicações, formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.