Por Claudinei Nascimento | 25 novembro 2017

Vítimas de conflitos políticos, étnicos ou religiosos, eles deixaram para trás seus países de origem,  familiares, bens materiais e tiveram sonhos interrompidos. Chegaram ao Brasil como refugiados e aqui têm encontrado o apoio necessário para reerguer suas vidas e escrever um novo capítulo de suas histórias.

É o caso do sírio Ali Ibrahim Hejazi, 30 anos. Ele tinha uma "boa vida" em seu país e uma trajetória profissional significativa, com domínio de cinco idiomas e uma posição para poucos, a de diplomata no Ministério dos Negócios Estrangeiros. A guerra, entretanto, jogou um balde de água fria em suas pretensões.

: O sírio Ali Ibrahim Hejazi tenta reconstruir sua vida aqui no Brasil
O sírio Ali Ibrahim Hejazi tenta reconstruir sua vida aqui no Brasil (Foto: Claudinei Nascimento )


Nascido na cidade de Homs, a 160 quilômetros da capital Damasco, ele viu sua terra natal ser destruída e junto com ela muitos de seus desejos. Para recomeçar do zero, passou por países como Jordânia e França e há dois anos chegou ao Brasil, onde encontrou a hospitalidade necessária para reconstruir sua trajetória.

A esperança aumentou consideravelmente quando conheceu o Projeto Caleidoscópio (http://yiesia.com.br/projeto-caleidoscopio/), uma iniciativa do Instituto Yiesia, que visa incluir refugiados de diferentes partes do mundo no mercado de trabalho brasileiro. O projeto tem como principal objetivo aproximar empresas brasileiras de pequeno e médio porte de executivos estrangeiros talentosos e capacitar estes profissionais a adaptar-se ao mercado nacional.

“Queremos aproveitar o potencial destes refugiados e contribuir para que venham a atuar em suas atividades de origem”, afirma a fundadora do Instituto e idealizadora do Caleidoscópio, Ana Paula Candeloro.

Para facilitar esse processo, o projeto oferece um curso gratuito de 96 horas que trabalha alguns pilares com os participantes, incluindo conceitos de gestão e governança corporativa, valorização da autoestima e sessões de coaching e de carreira.  “Eles precisam sentir-se fortalecidos para buscar o seu espaço profissional”, diz.  

 

SEM FRONTEIRAS

Um olhar afetuoso com os refugiados é parte integrante também de um trabalho que vem sendo realizado pelo Nurap (www.nurap.org.br). Por meio do projeto “Incluindo Além das Fronteiras”, eles têm sido inseridos em programas voltados principalmente para a socioaprendizagem, para inserção no mercado de trabalho.

De acordo com a coordenadora de práticas pedagógicas da Instituição, Ágata Aparecida Dourado, para que haja a empregabilidade deste público, tem sido necessário um amplo trabalho de sensibilização junto a algumas empresas parceiras. “Em um momento de competição ampliada por conta do alto índice de desemprego, é preciso mostrar que eles possuem diferenciais, como o domínio de outro idioma”, esclarece.

Os primeiros passos do projeto estão sendo dados em parceria com a Comunidade Unificada Nigeriana no Brasil. São quase cinco mil pessoas que estão no Brasil em busca de uma vida melhor, principalmente na Cidade de São Paulo. De acordo com o relações públicas da instituição, Emeka Ujor, a maioria dos nigerianos está no mercado informal de trabalho e alguns deles, por conta da dificuldade de se inserir em suas áreas de formação, decidem apostar em negócios próprios como restaurantes típicos do país.

Pensando nestas habilidades, o Nurap deve inaugurar um espaço gastronômico na zona sul da Capital e os primeiros capacitados serão os próprios nigerianos. “Estamos confiantes nesta parceria. Nas primeiras semanas, muitos já participaram de processos seletivos”, finaliza Ujor.

Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.