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Osmani Ribeiro Filho | Foto: Kazuhiro Kurita
publicado em 13/08/2017
Novidades na estrutura familiar
Nos últimos tempos, relações sofreram profundas mudanças e tem surgido um novo tipo de pai, que divide cada vez mais as tarefas domiciliares.
Ele, responsável pelo sustento financeiro. Ela, simplesmente do lar. Este modelo familiar definitivamente tem ficado para trás. Com o ingresso cada vez mais intenso das mulheres no mercado de trabalho, as relações dentro de casa sofreram transformações profundas e, conscientes, muitos homens passaram dividir as tarefas de casa e os cuidados com os filhos, minimizando a ainda existente dupla jornada feminina. 

Exemplo desses novos tempos é Osmani Ribeiro Filho, 64 anos. Sua rotina não é fácil. Funcionário do Metrô e morador de Carapicuíba, ele acorda às 3h45 para exercer uma jornada de trabalho das 6h às 14h30, na Estação Carandiru. No retorno para casa, num percurso de aproximadamente 30 quilômetros, uma pequena parada para o descanso, pois logo ele precisa exercer outra função: deixar o jantar preparado para a esposa Margareth. 

Ele, porém, não reclama, pois gosta de cozinhar e sabe que ser participativo é fundamental para trazer um maior equilíbrio ao relacionamento. “As tarefas precisam ser compartilhadas”, resume ele, padrasto da jovem Jaqueline, hoje na Espanha. 

Há ainda quem opte por trabalhos com horários mais flexíveis para ficar mais tempo com a família, como o publicitário Raul Galvão. Há dois anos, ele é freelancer e comemora o fato de ter tido mais disponibilidade para acompanhar a esposa no médico durante toda a gravidez e hoje dividir os cuidados com o filho recém-nascido. “A gente tem que se ajudar. Durante o trabalho, eu tenho que fazer uma pausa para ajudar no banho ou em outras tarefas. Como minha mulher também é publicitária, ela me ajuda, numa relação de benefício mútuo”, afirma. 


Transformações
Algumas empresas também estão com o radar ligado para as mudanças no mercado de trabalho que refletem nas relações pessoais. Segundo levantamento realizado pela Workana, que faz a intermediação de trabalhos para freelancers, 34% dos pais contam com ajuda externa para cuidar dos filhos. Para Guillermo Bracciaforte, cofundador da empresa, o perfil dos pais vem mudando e refletindo essa transformação. “Cada vez mais temos pais que sentem a necessidade de cuidar dos filhos e dividir igualmente as tarefas com a mulher. Isso se alia à busca dos colaboradores pela harmonia entre vida profissional e pessoal e tem um efeito muito positivo, já que um pai que participa mais em casa proporciona mais liberdade para que a mãe também siga com sua carreira profissional”, explica.

Daniel Lage e Thiago Luiz com o filho
Daniel Lage e Thiago Luiz com o filho (Foto: Matri Fotografia)
Há ainda muitas organizações que passaram a integrar o programa Empresa Cidadã, prorrogando de cinco para 20 dias a licença-paternidade. Entre elas está a Souza Cruz. A empresa, aliás, foi além. De forma pouco usual no mercado brasileiro, ela concedeu licença equiparada à licença-maternidade cidadã de 180 dias ao advogado Thiago Luiz, 34 anos, colaborador que se tornou pai ao adotar, junto com o companheiro, um bebê de cinco meses. "Eu sinto orgulho em trabalhar em uma empresa vanguardista. Apesar de centenária, a Souza Cruz está à frente do seu tempo e se adapta às novas estruturas familiares", afirma Luiz, funcionário da empresa desde 2008.

Para a headhunter e executive coach, Luciana Tegon, essas iniciativas, entretanto, ainda são raras em um mercado no qual a relação capital e trabalho está cada vez mais acentuada e, muitas vezes, a mão de obra é imprescindível no local de trabalho. "Não vejo um movimento neste sentido. As empresas que adotam essas ações ainda são exceções", complementa. 

 
Claudinei Nascimento
é editor do jornal “O Amarelinho”, formado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero.
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