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A exposição é uma réplica em tamanho natural de um barracão de prisioneiros judeus, objetos, peças de vestuários e posters da propaganda nazista. Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil.
publicado em 13/11/2017
SP inaugura exposição permanente sobre o Holocausto
Memorial da Imigração Judaica, onde acontece a exposição, passa a se chamar Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto. A entrada é gratuita.
Uma exposição inaugurada quinta-feira passada, 9, em São Paulo, vai levar o visitante de volta ao passado para um período trágico, mas importante, da história mundial. Considerado um dos episódios mais cruéis da humanidade, o Holocausto vitimou durante a Segunda Guerra Mundial mais de 6 milhões de judeus, entre eles 1,5 milhão de crianças. Entretanto, tudo isso ainda é pouco conhecido entre os brasileiros, especialmente os mais jovens.

Para preencher essa lacuna, o Memorial da Imigração Judaica inaugurou a exposição permanente sobre o tema e passa a se chamar Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto. “Essa preservação da memória é fundamental e é feita no mundo inteiro, há museus do holocausto nas maiores capitais do mundo, então uma capital como São Paulo não podia deixar de ter seu Memorial do Holocausto”, diz o professor de história judaica Reuven Faingold, diretor de projetos educacionais do Memorial.

A exposição é uma réplica em tamanho natural de um barracão de prisioneiros judeus, objetos, peças de vestuários e posters da propaganda nazista. Logo na entrada, a famosa frase do portão do campo de Auschwitz, "Arbeit Macht Frei" (O trabalho liberta, em tradução livre), seguida pela foto de Anne Frank, a adolescente alemã cujo diário se transformou em uma das mais conhecidas obras do período do Holocausto.

Logo após a entrada, a foto de Anne Frank, a adolescente alemã que ficou reconhecida mundialmente pela publicação de seu diário durante o Holocausto.
Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil


Experiências Sensoriais

Além de ser uma exibição de objetos, fotos e vídeos históricos, é um local que produz vários efeitos sensoriais. “Tentamos fazer um museu vivo, no sentido de que o visitante sinta na pele um pouquinho do que aqueles prisioneiros sentiram”, diz Faingold. A reprodução de um beliche onde dormiam prisioneiros de campos de concentração, por exemplo, permite inclusive a experiência de sentir o cheiro da palha que fazia as vezes de colchão.

O visitante vai encontrar uma vitrine subterrânea com o prisioneiro e sua ração de comida, que era um pouco de batata. Além de efeitos sonoros como a quebra dos vidros das lojas durante a Noite dos Cristais, no dia 9 novembro de 1938, ele vai ver a construção de um comércio judaico em Berlim e produções de obras de arte que foram confiscadas de lares judaicos.

Visitantes assistem a um dos vídeos que narram trechos do Holocausto.
Visitantes assistem a um dos vídeos que narram trechos do Holocausto. (Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil)


A exposição também proporciona contato com objetos autênticos pertencentes às vítimas do Holocausto e doados por seus familiares que hoje residem no Brasil. Outra seção comovente é a que exibe desenhos feitos por crianças prisioneiras dos campos de concentração, que retratam cenas observadas durante a terrível estadia naqueles locais. Também há a opção de assistir vídeos, como a Noite dos Cristais, quando nazistas lançaram uma onda de ataques a judeus em várias regiões da Alemanha e da Áustria, em 1938, ou filmes de propaganda feitos para exaltar o governo nazista de Adolf Hitler.

A importância da História


Radicado no Brasil há 27 anos, Faingold, de 60 anos, é descendente de judeus. Seu avô materno se refugiou na Argentina, onde ele nasceu. Para o professor, a preservação dos objetos é essencial para a história. “No futuro não haverá mais sobreviventes, porque esses que chegaram [no Brasil] já são pessoas com mais de 80 anos. O que vai sobrar são justamente os museus e os memoriais que temos”, observou.

Para que jamais volte a acontecer, Faingold falou sobre a importância de divulgar a exposição entre alunos e ensinar algumas definições pouco conhecidas pelos jovens brasileiros. “É preciso falar o que é um genocídio, dar exemplos, e contar o que foi o Holocausto. Nós vamos tratar, dentro do possível, para que escolas estaduais possam vir aqui e visitar nosso memorial”, finaliza.

Serviço


Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto
Rua da Graça, 160, Bom Retiro, Estação Luz
Funcionamento:
Domingo: apenas para grupos com agendamento
Segunda à quinta: 9h - 17h
Sexta: 9h - 15h
Entrada gratuita

Fonte: Agência Brasil/ EBC