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Isabela Pattaro é estagiária em uma das maiores empresas de RH do mundo. Foto: Kazuhiro Zurita.
publicado em 12/11/2017
Geração Z: falta referências
Estudo revela que a maioria dos jovens não tem uma personalidade específica para se inspirar e espelhar na hora de escolher sua profissão.

 

A ‘ausência de referências para a escolha da profissão’ foi a primeira colocada no estudo “Carreiras em Transformação”, com 10% da geração Z, pessoas nascidas a partir dos anos 1990. Em segundo lugar aparece Steve Jobs, com 8%, seguido por Jorge Paulo Lemann (5%) e Silvio Santos (4%).  

Para Manoela Costa, diretora executiva da Page Personnel, 726 nomes foram citados pelos entrevistados. “Não existe uma pessoa única que realmente represente esta geração. O nome mais surpreendente foi Jesus Cristo (3%) na sexta posição, juntamente com Barack Obama e Bill Gates. Isto prova que se trata de uma geração com propósito, para quem o sucesso profissional se confunde com o ser mais idealista, onde o aspecto religioso assume um papel importante”, analisa.  

Manoela Costa diz que o espectro de influências é extremamente amplo nesta época digital
Manoela Costa diz que o espectro de influências é extremamente amplo nesta época digital (Foto: Kazuhiro Kurita)


A EXPERIÊNCIA DE SER "Z"


Estagiária em uma multinacional de seleção e recrutamento há um ano, Isabela Pattaro está se graduando em Administração de Empresas. Hoje, tem certeza de que escolheu a carreira certa, mas quando entrou na faculdade com 17 anos havia optado pela profissão por ela ser ampla. “Aos poucos fui descobrindo onde me encaixava melhor e decidi por Recursos Humanos”, explica.  

Isabela diz que nunca teve uma referência profissional e também não sofreu influência de seus pais. “Eles me dão total liberdade de escolha e sempre apoiam minhas decisões, como quando fui chamada para este emprego e resolvi sair de Campinas para morar em São Paulo”, conta. Com 20 anos, para Isabela o importante agora é a chance de obter aprendizado na área que escolheu em uma grande empresa.

“Por enquanto, não penso em qualidade de vida ou na questão financeira. Quero aproveitar a oportunidade de crescimento pessoal e profissional e estou buscando conhecimento. É hora de ralar e outras questões, como qualidade de vida, ficam para depois”, revela, garantindo que só não abre mão de uma empresa ética. “Ela tem de prezar pela transparência e não ferir os meus princípios”, afirma.  

Isabela também está inserida em outros pontos no estudo feito pela Page Talent, unidade de negócios da Page Personnel, e Inova Business School, com 4.093 candidatos a programas de estágio e trainee e 310 representantes de RH de empresas de diversos setores e portes no primeiro semestre do ano. Mas, com relação à qualidade de vida, ela destoa do estudo.  

Para 68% dos respondentes, a empresa dos sonhos é aquela que tem em seu DNA justamente esta preocupação. “É uma juventude extremamente conectada, que quer um plano de carreira para colocar em prática o que gosta conciliando seu lado profissional com o pessoal”, avalia Manoela. No entanto, para ela, qualidade de vida está muito relacionada ao propósito, mais que a carga horária de trabalho.  

VERSÃO CORPORATIVA  

Por outro lado, profissionais de RH destacaram no estudo o que as corporações esperam desses jovens. Segundo o levantamento, as características mais valorizadas nos estagiários são a boa relação interpessoal e desenvoltura na comunicação (53%), personalidade ativa e mão na massa (44%), dedicação (30%) e uma faceta versátil que o permita transitar e ter visão de atividades diversas (30%).  

Segundo a diretora executiva da Page, “74% dos respondentes que hoje trabalham como estagiários gostariam de ser efetivados e mais de 38% desejam permanecer por mais de dois anos na empresa onde trabalham”. Ela ressalta que o estudo foi realizado em um momento de crise, com alta taxa de desemprego. “A questão econômica talvez mude a perspectiva desses jovens. Dos ouvidos, 47% disseram estar desempregados”, finaliza.