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Rafael Lucchesi é diretor do SESI/SENAI – Departamento Nacional | Foto: Divulgação
publicado em 12/01/2017
Brasil deve incentivar educação profissional
Para diretor do SESI/SENAI, Brasil precisa reformular grade curricular da educação básica.
A taxa de jovens entre 15 e 17 anos no Brasil com formação em educação profissional é de somente 11%, enquanto, em média, países desenvolvidos formam 50% de jovens nestas condições. Os dados foram destacados pelo diretor do SESI/SENAI – Departamento Nacional, Rafael Lucchesi, em palestra na Conferência Internacional de Educação Profissional, realizada em Curitiba (PR). 

Segundo o diretor, a grade curricular da educação básica precisa ser reformulada para priorizar a educação profissional. Como consequência desse estímulo, o País terá mais produtividade porque o jovem chegará ao mercado de trabalho com uma profissão. 

Segundo Lucchesi, o sistema educacional brasileiro é academicista, ou seja, voltado mais para as universidades e menos para o mercado de trabalho. Dessa forma, ele acredita que o jovem é desestimulado a seguir uma formação técnica. “Temos que mudar o sistema educacional brasileiro para tornar o Brasil mais justo, dar mais oportunidade ao jovem, principalmente o de baixa renda, e a educação profissional pode ser um caminho”.

Modelo educacional

Para o diretor, a discussão sobre a reestruturação do modelo educacional passa por pensar o ensino médio como um período de transição para os adolescentes, no qual parte deles vai seguir para universidades e outra para o mundo do trabalho por meio da educação profissional. O modelo é adotado em países como Alemanha, Áustria, Suíça e, de forma adaptada, na Ásia, caso da Coreia do Sul e Cingapura, países com competitividade industrial avançada. “A discussão da base nacional comum curricular abre a oportunidade de maior flexibilização do modelo educacional brasileiro”, comenta.

Nesse sentido, o SENAI, diretamente ligado à indústria, possui agenda pautada em modernização de materiais didáticos, estrutura de cursos e inovação tecnológica. “Criamos 25 institutos SENAI de inovação nas 25 tecnologias transversais mais demandadas pela indústria, como Micromanufatura, Laser e Engenharia de Biossintéticos”, exemplifica Lucchesi.

Círculo vicioso

Para o diretor regional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) na América Latina e Caribe, José Manuel Salazar-Xirinachs, a falta de educação profissional no Brasil prejudica a oferta de empregos para os jovens. Segundo ele, a baixa formação profissional prejudica a empregabilidade. “Muitos jovens não são beneficiados por uma educação aliada à prática do mercado de trabalho. Dessa forma, entra-se num círculo vicioso, pois os empregadores não os contratam por falta de experiência, deixando de existir a transição da escola para o mundo do trabalho”, comenta.

José Manuel Salazar-Xirinachs
José Manuel Salazar-Xirinachs (Foto: Divulgação)
Salazar menciona que o Brasil tem liderado na América Latina, com seu potencial, o investimento em parques tecnológicos. “Há um grande respeito pelo SENAI e pelo Sistema S e pelo que se tem feito no Brasil quanto ao incentivo à educação profissional”, diz. 

Ele observa que, em geral, o desenvolvimento econômico tem seguido uma agenda inovadora em três diretrizes para trazer bem-estar e garantir empregos de qualidade para a população: o desenvolvimento duradouro, com metas para 10 ou 20 anos; inclusivo, para proporcionar mobilidade social, redução da pobreza e das desigualdades sociais; e sustentável, preocupado com a preservação do meio ambiente. “A grande riqueza dos países não está no subsolo, mas está nas pessoas. Isso equivale a uma revolução econômica e social”, conclui.
 
Cynthia Grilo
é formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), atua na área há 15 anos, com foco no mercado de trabalho e capacitação.
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